Taylor Momsen deu uma super entrevista para a The Pop Break falando sobre a composição do novo álbum, como é abrir para o Soundgarden e muito mais! Confiram a entrevista traduzida:

Em um mundo desprovido de um rock n’ roll autêntico a The Pretty Reckless evita um som padrão, com guitarras incríveis e uma eloquência e agressividade no vocal que revive a alma do rock n’ roll.

A The Pretty Reckless se tornou a precursora do rock moderno e eles continuam escrevendo suas canções em níveis extremos de excelência musical.  Coração, maturidade e confiança definem um dos principais lançamentos do rock na atualidade.

Em uma entrevista exclusiva com a The Pop Break, eu falei de modo detalhado com a vocalista Taylor Momsen sobre a evolução musical e o processo de quando o álbum Who You Selling  For foi escrito. Mantenham seus olhos colados na tela enquanto Momsen fala sobre sua criatividade, inspiração e felicidade por abrir os shows do Soundgarden ainda nesse verão.

O título do novo álbum “Who You Selling For?”  é uma pergunta muito profunda especialmente para músicos do calibre de vocês. Mesmo depois de alguns meses do lançamento o que significa “Who You Selling For?” para você pessoalmente e como isso evoluiu? 

Honestamente, perguntam isso pra gente a todo momento e isso significa uma coisa diferente a cada dia. Eu acho que é por isso que escolhemos esse nome. Obviamente, esse é o nome de uma das músicas do álbum que é o auge para nós. Quando estávamos escolhendo o nome do álbum, Who You Selling For? se encaixou perfeitamente. Nós pensamos que seria muito interessante fazer nosso público pensar ao invés de impor algo a eles. Pra mim isso significa uma coisa diferente todos os dias. Hoje eu estou me vendendo para vocês, amanhã vai ser para outra pessoa. Mas no final do dia eu sei que vou estar me vendendo para a música que é o que eu amo.

A música de abertura The Walls Are Closing In, possue um toque de piano meio assustador debaixo dos seus vocais. Isso realmente cria uma calma antes da atmosfera da tempestade. Você pode me por por dentro do processo de composição dessa música e como decidiram puxar pra algo tão pesado como Hangman? 

The Walls Are Closing In”  nós gravamos separadamente, mesmo que ela seja uma continuação de “Hangman”. Originalmente era pra ser uma música separada. Nós falamos tudo o que tínhamos para dizer nesse curto período de tempo. Depois de “Hangman” veio em seguida, “The Walls Are Closing In”  que se tornou uma introdução para a música, que é uma das minhas músicas favoritas do álbum porque artisticamente ela está em todo lugar. Com essa faixa, a coisa que mais tentamos fazer eu acho que foi ter “The Walls Are Closing In” como uma introdução; nós realmente tentamos fazer um disco mais orgânico e sem intenção nenhuma acabamos fazendo um disco de rock clássico. Nós queríamos captar a essência do ser humano. Eu achei que as imperfeições eram o que fazia a música perfeita.

Agora com a habilidade de manipular tudo com a tecnologia: não que eu seja totalmente contra trabalhar com essa tecnologia moderna, mas ao mesmo tempo se você manipula tudo e arruma tudo o tempo todo, você perde uma parte bem importante da música. Você quer ouvir a pessoa atrás da nota: o esforço para chegar lá, a dor, a guitarra, tudo isso pra que você possa entender a pessoa. Nós tentamos capturar isso. E realmente,  foi sobre procurar e achar aquele momento mágico nas entre linhas. “The Walls Are Closing In”  foi gravada uma vez só por isso começa comigo falando (risos). Nós estávamos todos sentados em uma sala tocando e foi ai que pensamos “Isso é o começo do disco” (risos).

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Vocês tem uma jornada de oito anos trabalhando com Kato Khandwala. Você pode descrever todo o capítulo dele na captura mais orgânica do som de vocês? 

Kato não escreve com a gente. Ben e eu somos os compositores da banda mas Kato sempre nos ajudou desde o começo. Ele com certeza é um quinto integrante da banda, nós trabalhamos juntos há muito tempo. Não que eu esteja nos comparando com Os Beatles, mas eu acho que realmente existe algo em criar uma relação com um produtor ao invés de ficar trocando sempre pra “tentar algo diferente”. Sempre há algo em crescer com aquela pessoa enquanto crescemos como a banda. Nós estamos todos na mesma página. Ele realmente é um dos nossos melhores amigos no mundo todo, seria estranho não trabalhar com ele.

Esse é o terceiro álbum de vocês, qual foi o pior desafio ou o mais bem vindo conselho que Kato deu de um ponto de vista vocal? 

Não é bem assim. Tudo é colaborativo e nós não escrevemos no estúdio. Ben e eu compomos tudo antes de por os pés no estúdio. Nós já temos uma visão diferente do que queremos alcançar. Uma vez que a música está escrita, ele já consegue escutar naturalmente para onde ela precisa ir. Tudo começa no acústico com o violão, uma vez que você já tem uma música mais sólida – nosso lema é: se você pode tocar a música inteira de forma acústica, então ela é uma boa música – o próximo passo é levar para Kato e a banda em Nova York e então continuar daquele ponto. Como compositora, eu tenho uma visão de como a música deveria ser antes de entrar no estúdio. Essa é a parte em que Kato ajuda muito a gente. Nós nos comunicamos muito bem e ele entende nosso idioma meio estranho de artista e o que estamos tentando descrever, o que não é necessariamente técnico (risos). Poderia ser a palavra “vibe” ou qualquer que seja, ele é muito bom em nos ajudar a captar nossas intenções para cada canção.

A banda inteira arrasa em “Wild City”. Qual foi a sua abordagem lírica para essa canção em particular? Seu desempenho vocal, assim como seus cantores de apoio, realmente trouxeram uma essência de funk para esse som. 

“Wild City” começou comigo. Eu moro em Nova York na parte baixa do leste e eu estava apenas andando na rua e olhando as pessoas e isso é mais ou menos de onde essa  música surgiu. Eu cresci em Nova York e é como uma experiência de ser jovem em uma cidade sozinha: é uma experiência em que nem todos experimentam. Eu tentei capturar esse sentimento na música. De novo, isso foi um jeito de tentar captar os sentimentos humanos trazendo cantores de apoio e músicos de outros lugares. Essa foi a primeira vez que fizemos isso. Nós trouxemos Janice Pendarvis: ela é uma cantora icônica. Nós também trouxemos Jenny Douglas-Foote e Sophia Ramos e todas as três foram incríveis em “Take me Down” e “Wild City”. Isso foi realmente muito legal poder cantar com outras pessoas ao invés de só ter que me ouvir de novo e de novo (risos). Isso realmente acrescentou um novo elemento.

E depois nós também trouxemos um tecladista – Andy Burton. Nós trouxemos Tommy Byrnes e para “Back to the River”, Warren Haynes. Nós nos permitimos abrir o estúdio de uma forma que não havíamos feito antes. Isso não foi só por nós ou só pelo Kato. Nós trouxemos outros músicos e abraçamos o aspecto de ver até onde a música pode nos levar. Isso foi muito legal e criou um novo som: eu não quero necessariamente dizer um novo som, mas algo que não tínhamos tentado antes.

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Eu gostei do que você disse anteriormente sobre este álbum ser um disco de rock clássico. “Back To The River”, remonta à era de bandas como The Allman Brothers. Descolado o suficiente, Warren Hayes foi um convidado e adicionou um som de guitarra muito legal. Como surgiu essa colaboração?

O que você vai fazer quando tiver esse tipo de música que remete ao The Allman Brothers? Você vai chamar os The Allman Brothers; você vai chamar Warren Haynes – um dos maiores tocadores de guitarra. Ele literalmente é a razão pela qual eu sou uma grande fã deles. Isso aconteceu porque nós tínhamos essa música e todos nós adoramos ela. Ben é um guitarrista excelente, nós realmente queríamos elevar (essa música) para outro nível e Warren Haynes foi o primeiro nome que veio a nossa mente. Enviamos para ele a canção, ele escutou e respondeu: “Sim, eu adoraria tocar nisso.” Ele realmente a levou para um novo patamar. A música não seria a mesma sem ele. Foi a nossa primeira colaboração (Risos).

Foi loucura ouvir a sua música sabendo que você tinha um dos melhores guitarristas de blues do mundo tocando nela? Isso é realmente incrível!  

Isso foi tão incrível e uma honra enorme ele ter dito sim. Hoje em dia há um monte de artistas com outros artistas e um monte de colaborações e duetos. Para mim, isso exige um pouco de fórmula. Uma vez que a música realmente precisa de um artista, seja um cantor ou guitarrista, se a música em si precisa desesperadamente, experimente, a menos que você possa fazer sozinho. E essa música precisava desesperadamente. Vai Warren! E muito obrigada!

“Bedroom Window”, apresenta uma das  melhores letras até agora. “Como eu olho para fora da janela do meu quarto / É tudo real ou apenas fantasia? / Eu perdi o contato com o que me faz humana / Eu perdi o contato com a realidade?”. Você poderia me levar por trás dessa música e me falar o que você tentou capturar de uma perspectiva mais emocional?

Acho que todo esse álbum capta muito do que essa música também capta. Escrever um álbum é um processo muito estranho. Tínhamos feito uma turnê para o o disco “Going to Hell” por dois anos seguidos. Quando nós saímos da estrada, todos ficamos meio abatidos. Isso já foi dito por muitos artistas antes, mas sempre que você quer realizar algum desafio artístico: se for uma turnê muito longa ou apenas uma música – seja lá o que for – você coloca tudo de si mesmo e toda sua alma nele. Você coloca tudo o que tem. Quando acaba, você fica com um vazio gigante na boca do estômago. Existe um clichê com músicos e drogas e também o álcool, afinal com o que você preenche esse vazio? Eu tento não preenche-lo com álcool, mas nem sempre tenho sucesso (risos). Você tenta preencher isso com uma música nova. Quando saímos da turnê, eu estava tão desesperada por novos materiais que eu imediatamente corri para escrever coisas novas. Eu estava em uma espécie de… eu não sei a palavra certa, mas são várias emoções: confusa e perdida.

Eu moro em Nova York, mas eu tenho um lugar na Inglaterra onde eu vou que é muito isolado e meio Stephen King, para ficar longe de tudo e encontrar o meu foco novamente. Essa música veio de mim, literalmente, olhando para fora da janela do meu quarto depois de ter visitado o mundo por dois anos e ver toda essa merda. Quando isso bate, você olha para fora de sua janela e tudo parece sempre o mesmo, mas há algo que parece sempre dizer que o mundo está explodindo lá fora (risos). Foi aí que a canção surgiu, mas acho que é um tema comum nesse disco.

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De um ponto de vista pessoal, das doze faixas, qual você escolheria como sua favorita e de qual você está mais orgulhosa?

Ugh, isso é uma pergunta impossível e você tem que saber que elas são todas minhas filhas (risos). É assim que eu olho para nossas músicas: nenhuma música é mais importante do que a outra. Agora, nós realmente adoramos tocar “Hangman”, “Oh My God”, “Living In The Storm” e “Prisoner” é realmente divertido. Nesse disco, você  não pode escolher uma música. Ele e destinado a ser ouvido como um todo e até de trás pra frente. Nós torcemos para que o ouvinte e nosso público vá em uma viagem tão grande quanto eu no estado em que estava quando compus ele. É por isso que eu acho que os discos são tão legais. O ditado é, “nós estamos vivendo no mundo dos singles agora.” Para mim, as gravações ainda são muito poderosas porque elas capturam um momento na vida de um artista que você não vai conseguir de novo. Como artista e pessoa, eu acho que uma música realmente captura um momento no tempo.

Eu concordo completamente. Uma música como “Hangman” é como uma captura emocional da sua mentalidade naquele momento. A essência dramática dos seus vocais em cima da guitarra de Ben trouxe uma escuridão muito cativante a essa faixa. Qual foi a sua reação quando você ouviu Ben tocar essa música? 

Na verdade, nós escrevemos essa música juntos. É um poema em latin de um poeta chamado Chidiock Tichborne, em que ele fala: “Na véspera de sua execução”. Nós traduzimos isso para o latim. Isso foi de onde a música surgiu. Eu não quero falar muito profundamente, não gosto de falar muito em detalhes sobre as músicas. Eu sou uma enorme, enorme, enorme fã de música. Como exemplo, eu tenho escutado Pink Floyd desde que eu era uma criança. “Shine On You Crazy Diamond”, é uma música fantástica. Eu recentemente assisti a um dos muitos documentários sobre o Pink Floyd e aprendi que essa música é sobre Syd Barrett.

Eu não queria saber ou conhecer o significado interno dessa canção porque significava algo pessoal para mim. Ao divulgar muito sobre o escritor para o seu público, eu acho que você está tirando algo deles. A música é para ser interpretada. O que quer que isso signifique para você, é isso que a música significa. A música está sempre evoluindo, mesmo que a faixa nunca mude ou a gravação permaneça a mesma. Mesmo como escritora, vai significar algo diferente para mim todos os anos em que crescer. Cada momento de mudança, leva tempo, tanto para refletir quanto para olhar para trás e ver em sua arte, “Oh, isso é o que eu estava realmente dizendo quando eu pensei que estava dizendo algo diferente.” As pessoas estão em constante evolução e definir algo específico para o público, eu acho injusto, não sei se isso faz sentido (risos).

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Não, eu definitivamente entendo o seu ponto de vista. Eu penso numa banda como Soundgarden – ironicamente, já que vocês vão abrir vários shows para eles – onde Chris Cornell mantém suas letras vagas o suficiente para o público formar seu próprio significado.

Sim, porque mesmo se suas letras são inspiradas em algo da sua vida – pode até ser uma citação – ao mesmo tempo, tudo sempre são trocadilhos e metáforas. Definir isso especificamente é desafiador e muito injusto (risos). E sim, estamos em turnê com a porra do Soundgarden e estou muito animada porque eles são uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos!

Quão louco é isso? Qual foi a sua primeira reação quando vocês foram convidados pela primeira vez para abrir essa turnê?

Fiquei chocada e extremamente animada. Quero dizer, essa é a turnê mais louca para mim. Tocamos com eles uma vez antes em Quebec, para 90.000 pessoas em um festival. Foi fantástico. Ser capaz de tocar em mais de um show com eles é um sonho se tornando realidade.

Qual é o seu álbum favorito do Soundgarden? E quais são as músicas que você mais gosta de ouvir quando eles tocam todas as noites?

Isso é impossível de responder (risos)! Novamente, ela muda diariamente porque eu escuto todas as músicas deles sem parar. Eu continuo fazendo uma piada; eu falo tipo: “Eu não sei o que eu vou usar na turnê do Soundgarden porque todas as minhas camisetas tem Soundgarden nelas.” Eu amo todas as músicas. Badmotorfinger foi a  que me levou a eles, Superunknown é incrível, eu amo Down on the Upside, e eu realmente me entrei em King Animal quando eles lançaram ela. Estou apenas super ansiosa por poder abrir seus shows a cada noite e analisar tudo os que eles fazem de perto.

Para a sua  banda – shows solos, os de abertura para o Soundgarden, e as aparições em festivais por todo os Estados Unidos – o que mais te anima nesse próximo verão/outono?

Sinceramente, estou ansiosa para tudo isso. Os festivais sempre nos trataram tão bem e é tão legal poder voltar e tocar nesses locais de novo. Eu estaria mentindo se eu não dissesse que Soundgarden está sendo um destaque para mim. Eles também estão tocando nos mesmos festivais que nós. Vai ser uma ótima turnê. Shows próprios são incríveis, porque agora temos três discos e alguns EPs – nós realmente temos material suficiente para ser capaz de mudar a setlist a cada show. Em nossos shows, estamos tocando mais tempo do que já tocamos antes. Nós costumávamos apenas sair do palco dando um soco na cara da platéia, isso porque não tínhamos tantas músicas. Agora estamos tocando quase duas horas, o que é ainda mais fácil. Você tem tempo para se tornar só um com o público. Estou realmente ansiosa para tudo isso e ter uma junção de todas essas experiências durante uma turnê, é realmente incrível.

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TRADUZIDO POR ONLYTPR

FONTE 

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